CASA GRANDE & SENZALA


     É de justiça salientar, nesta festa de inteligência e de sensibilidade - o lançamento da edição popular de Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre - o quanto o governador Paulo Guerra fêz pela cultura através principalmente da Casa Civil e da Secretaria de Educação. Nem seria necessário estar aqui enumerando as realizações, que elas aí estão à vista dos crentes e dos céticos. Os Grupos Escolares construidos, as salas de aula, a doação dum solar pernambucano do século XIX à Academia Pernambucana de Letras, o lançamento do X volume dos Anais Pernambucanos de Pereira da Costa, e, mais recentemente, do livro de Austro-Costa - De Monóculo - e da "Revista de Educação", a criação da Universidade de Pernambuco, cujo Estatuto é modêlo da melhor compreensão universitária, o Museu de Arte Moderna, de Olinda, o decreto que fêz de Nabuco o patrono da cultura pernambucana - tudo isso são coisas um tanto extraordinárias num govêrno de tantas preocupações econômicas e num homem público mais afeito às lides políticas e agrárias do que às chamadas atividades intelectuais, êle próprio dizendo-se um "matuto". Mas que "matuto" foi êsse que ergueu em Pernambuco a bandeira da cultura; que olhou com bons olhos os intelectuais, tidos sempre pelos govêrnos como homens a seu modo líricos e pouco prático; que foi êle próprio contemplar um solar recifense do melhor estilo para fazer dêle a sede da Academia, por sua vez nem sempre compreendida; e abriu êste salão nobre a concertos de artistas autênticos, permitindo que a sua Casa Civil fôsse além do protocolo e das etiquetas. E, hoje, aqui nos reune para lançar o primeiro volume de Casa Grande & Senzala, com prefácio de José Antonio Gonsalves de Melo e ilustrações de Lula Cardoso Ayres e no qual colaboram de mãos dadas, uma vez mais, o Arquivo Público Estadual e a Imprensa Oficial, com Jordão Emerenciano e Cleofas de Oliveira; e a cuja edição está ligado o nome do Deputado Paulo Rangel Moreira, além do interêsse do ex-secretário João Roma e do governador Paulo Guerra - não se sabendo qual dêles mais empenhado nesse empreendimento cultural, que chega a tempo de ser obra também dum govêrno. Dum govêrno tão politicamente lúcido quando intelectualmente válido.

     Estou de modo especial ligado - parece-me oportuna a confissão - à primeira edição de Casa-Grande & Senzala. O professor Waldemar Valente e eu fomos os primeiros a adquirí-la ao livreiro Bernstein. Não era livro para ser lido aos poucos senão numa segunda ou terceira leitura. Uma bela paisagem tem de ser vista logo para saciar os olhos. Depois, vêm os pormenores. Por algum tempo cheguei a saber de cor longos trechos do Prefácio - "Em outubro de 1930 acorreu-me a aventura do exílio". - Começava assim uma obra de ciência - antes de tudo de ciência, mas também de beleza estilística - uma coisa nova, fascinante. Sociologia, arte, poesia, tudo num livro só. Nunca se havia feito coisa igual sôbre o nosso Nordeste patriarcal, com a sua casa-grande pluralizada em capela, escola, maternidade, artesanato, a um tempo agrária e política; e a senzala como complemento de trabalho e dos vícios que deviam ser apanágio dos negros, em cujos dramas obscuros morreram sonhos e desvarios.

     Li êsse livro, hoje em 14ª edição brasileira e 15ª em língua portuguêsa - além de outras edições estrangeiras - quase duma vez. É ciência, música e literatura; uma coisa nova, fascinante. O advérbio transformado em adjetivo. O contrário de Euclides: o adjetivo feito verbo. Imagens se sucedendo, sem prejuizo da mais rigorosa sociologia, da mais pura análise social da nossa realidade. Um estilo ao mesmo tempo auditivo e visual, que permite ao leitor viver - ouvindo e vendo - o que o Autor traz ao seu conhecimento: a nossa formação, a nossa personalidade, a nossa tradição, tudo o que somos em côres, costumes vivências, vícios, virtudes, mazelas, crendices.

     Livro para todos os estudiosos, para cientistas sociais, para historiadores, pesquisadores, poetas, etnógrafos, estilistas, escritores, ensaistas, lógicos, mágicos, - e para o povo. Sim, para o povo, ao qual agora chega em edição além de popular, pernambucana, como diz o Autor. Livro para mestres e estudantes, todos nós, diante dêle, mais estudantes do que mestres. E livro escrito em plena mocidade, publicado aos trinta e três anos do Autor, e que levará muita consagração a perguntar a si mesma, numa hora que não seja de inveja: - Que fiz em nessa idade?

     Livro que a gente retoma por obrigação e devoção, no silêncio do estudo, e é como se tudo viesse de nôvo como pela primeira vêz. Começa-se pelo exílio do escritor, no Prefácio famoso, como se começa a "Divina Comédia" pelo exílio do Dante. E é sempre uma obra que surge do mistério da nossa gente, da herança de tantas coisas, da miscigenação de almas e corpos, de pigmentos e de idéias, o admirável "complexo" da nossa Democracia étnico-social. Um livro que fêz de Pernambuco, antes da Universidade, uma Universidade. Uma Universidade nossa, tão regional quanto universal, que data de 1933, quando apareceu Casa-Grande & Senzala com métodos de investigação e de interpretação tão gilberteanos quanto universitários.

     O govêrno Paulo Guerra entrega, hoje, ao público "menos capaz de adquirir livros volumosos, devido aos seus inevitáveis preços altos", essa obra monumental, que associa, na própria expressão de Gilberto Freyre, de modo especialíssimo, a Província ao Autor. E o fêz não apenas como uma justa homenagem ao sociólogo-antropólogo, mas à cultura brasileira que Gilberto Freyre levou ao estrangeiro como outrora um Nabuco ou um Oliveira Lima, sendo apenas - e nisso é mais se engrandece - embaixador do Espírito.

     

     

     DISCURSO DE

      GILBERTO FREYRE

     

     

     A edição popular de um livro de autor pernambucano, mesmo como homenagem de Pernambuco menos a êsse autor ainda vivo que a um seu trabalho, é iniciativa um tanto surpreendente. Partiu da Assembléia Legislativa: do Deputado Paulo Rangel Moreira, desde jovem tão a serviço de sua gente e de sua terra. Executou-a o Governador Paulo Guerra: alta vocação de homem público, que acaba de administrar o Estado com eficiência e honestidade. Dá-lhe o seu aplauso a inteligência generosa do Professor Nilo Pereira, falando por tôda uma comunidade de intelectuais, de escritores, de mestres universitários, de jornalistas fixados em Pernambuco.

     Por que surpreendente essa iniciativa, considerada como homenagem de Pernambuco ao livro de um pernambucano ainda vivo? Porque não é tradição de Pernambuco homenagear ou sequer semi-homenagear, pernambucanos, senão depois de mortos. Ou mais precisamente: quando morrem. No momento em que, mortos, têm que ser sepultados.

     Aos seus filhos mais ilustres, Pernambuco costuma tratar, enquanto êles vivos, como se não lhes devesse carinho algum: êles que se contentem com a glória de terem nascido pernambucanos. Glória que, na verdade, não é pequena.

      A Abreu e Lima - a êste, Pernambuco foi ao extremo de negar sepultamento cristão: os inglêses é que o sepultaram. A Joaquim Nabuco o povo do Recife chegou a vaiar. A Dom Vital, a Antônio Pedro de Figueiredo, a Lopes Gama, a Aquino Fonseca, a Nascimento Feitosa, a Martins Júnior, a Oliveira Lima, a Rosa e Silva, a imprensa, dentre a aparentemente mais representativa de Pernambuco, ou cobriu de insultos ou procurou levá-los ao ridículo. Saldanha Marinho precisou de emigrar para afirmar-se brasileiro insigne. Também precisaram de emigrar, para se afirmarem homens ilustres, Natividade Saldanha, Maciel Monteiro, João Alfredo, Medeiros e Albuquerque, Luís Gomes, Alberto Rangel, Dantas Barreto, Cícero Peregrino, Olegário e José Mariano Filho, Souza Bandeira, Antônio Austregésilo, Sebastião do Rêgo Barros, Antônio Carneiro Leão, João Alberto, que se tivessem insistido em permanecer no Recife, em Olinda ou em Goiana, teriam talvez, acabado os dias na mesma tristonha e vil obscuridade em que finou-se aqui, falando só e tocando, desacompanhado, o seu violino, o sábio Leal de Barros; ou perseguidos e injustiçados como Nunes Machado e Ulysses Pernambucano; ou encervejando-se de tédio ou de desgôsto, como Alfredo de Carvalho ou Gervásio Fioravante; ou fazendo gaiolas de passarinho como Carneiro Vilela.

     O que é certo, entretanto, é que, exceção feita do que aconteceu com Abreu e Lima, Pernambuco se compensa da falta de carinho para com seus grandes filhos, enquanto vivos, cobrindo-os de suas melhores flôres quando morrem. São célebres os enterrados recifenses de pernambucanos ilustres. Têm dado esplendor histórico às ruas do Recife. Carro com penachos, caixão de jacarandá, multidões chorosas, lágrimas, crepe, bandeiras a meio pau, toques de sinos, marchas fúnebres, discursos, coroas, flôres. Quanto mais injustiçado o pernambucano em vida, quanto mais insultado pelos jornais, quanto mais vaiado pela plebe, mais glorificado nos enterros. O entêrro de Nascimento Feitosa, o de Martins Júnior, o de Joaquim Nabuco, o de José Mariano, o de Manuel Borba, o de Agamenon Magalhães, o de Estácio Coimbra - cujo busto de bronze fôra arrancado dêste Palácio e atirado na lama do Capibaribe - que o digam.

     O forte da generosidade de Pernambuco para com seus filhos mais ilustres quase só se manifesta em honras fúnebres. Só então as garras ásperas do Leão grande se tornam rosas macias para os pequenos leões. Só então êle mostra quanto é grato aos que o serviram, o dignificaram, o elevaram.

     Não devo incluir-me entre os pernambucanos maltratados por Pernambuco, senão admitindo que êsses maus tratos por vêzes atinjam gente média e até pequena; e não apenas a mais ilustre. Maus tratos sou dos que, na verdade, os têm experimentado, da gente da sua província, sem que por isto a estime menos do que a estimaria se sempre mimado, festejado, louvado por ela. O próprio livro que o Estado hoje publica em edição popular, grande parte dêle escrevi-o provando o que há de mais amargo no exílio e na pobreza; e experimentando de fato a fome de que falam geógrafos mais retóricos que científicos, tendo sido certa noite agredido por capangas e em seguida prêso como agressor dêsses capangas, a um dos quais feri, tendo sido ferido pelos três. Mais: escrevi-o sob a dor de ter sido a causa do saque e do incêndio da casa da minha família na Madalena: saque e incêndio praticados por ladrões fantasiados de patriotas.

     Além do que, foi no Recife que houve quem quisesse promover a queima, em praça pública, do livro, logo que apareceu, sob a alegação de ser obra pornográfica, anti-religiosa, anti-Católica, comunista. Do Recife partiram contra o autor os maiores insultos que êle então recebeu. Foi do Recife que, na mesma época, êle mais recebeu cartas anônimas ameaçando-o de surras de queri para aprender a respeitar a Igreja; ou pancadaria não especificada como castigo às suas obscenidades. Nunca um autor nascido no Recife e pernambucano desde o século XVI foi mais acusado de meteco, de estrangeirado, de inimigo da Pátria e da Terra Natal; e não apenas da Santa Madre Igreja que aliás sempre respeitou; e que hoje defender até de inimigos internos.

     É um livro, êste, do qual se poderia dizer, com algum exagêro, que foi escrito com suor, com sangue e até com lágrimas: lágrimas viris que as outras Pernambuco não compreende senão nos olhos das suas sinhás mais dengosas. Entretanto, nem suor, nem sangue nem lágrimas tornaram o autor ou o livro amargo para com a gente. Ou capaz - o autor - de, exasperado, por sua ciência ou sua arte a serviço dos seus ressentimentos. Foi um livro escrito com amor, mesmo quando mais àsperamente crítico do Brasil.

     Repito hoje o que já disse noutro encontro com brasileiros amigos: que meu amor por Pernambuco e pelo Brasil não é dos que precisam de ser correspondidos para continuar a ser amor. Não é dos que precisam de honrarias, de homenagens, de vantagens, para continuar a existir.

     A semi-homenagem de agora não representa, aliás, vantagem para o escritor que, profissionalmente, sou, mas, ao contrário, desvantagem. Como autor me associo ao Estado de Pernambuco para tornar possível que o livro de que hoje se publica o primeiro tomo de uma edição popular, com ilustrações, de sabor também popular, do admirável Lula Cardoso Ayres - trabalhos de uma fase de inteira identificação do artista com os temas rurais - apareça a dois mil cruzeiros o exemplar: o tomo. Façanha quase incrível.

     Pois trata-se de edição esmeradamente preparada pela Imprensa do Estado, sob as visitas do seu digno diretor, Cleofas de Oliveira, e a orientação esclarecida do Professor Jordão Emerenciano, presidente da Comissão incumbida pelo Governador Paulo Guerra e pelos Secretários João Roma e Heraldo Almeida - tão devotados aos seus deveres, Heraldo tão continuador do pai na dignidade exemplar - da publicação do livro homenageado, que fica assim ao alcance dos pernambucanos, ou dos brasileiros que, sem serem ricos, mais desejam possuí-lo: estudantes, operários, pequenos funcionários públicos, comerciários, motoristas, artesãos, professôres primários, gente do interior, revisores de jornal, empregados de emprêsas de viação, domésticos, trabalhadores rurais. E desde já me ponho à disposição dos que adquirem os primeiros trezentos exemplares do livro - do primeiro tomo - em livrarias da cidade do Recife, para autografá-los.

     Senhor Governador Paulo Guerra: sou muito grato à presença de V. Excia. nesta semi-solenidade. V. Excia. é um pernambucano que invejo. Quase realizado como escritor, sou, como cidadão, um quase frustrado. O que mais desejei ser, como cidadão, foi Governador dêste Estado, posição que V. Excia. acaba de ocupar tão dignamente.

     Na minha mocidade, houve quem me animasse êsse desejo: o eminente antecessor de V. Excia, Estácio de Albuquerque Coimbra, ao lado de quem, aos vinte e tal anos, trabalhei neste Palácio; por quem fui aqui ouvido e consultado com o carinho com que certos provetos ouvem e consultam os muitos mais jovens em quem, por vêzes erradamente, têm esperança e mesmo fé; de quem muito aprendi; que me abriu os segredos dêste palácio-laboratório onde pude estudar tanta sociologia quanto nos livros e nas universidades, surpreendendo, nesta e noutras salas, em flagrantes inesquecíveis, ambições contra ambições, vaidades contra vaidades, irmão contra irmão em tôrno de vaga de deputado federal, pai contra filho, genro contra sogro, protegido contra protetor, amigo contra amigo - tôda uma série de pequeninos dramas shakespeareanos. Foi ainda Estácio Coimbra, neste Palácio, quem me fêz secretariar as para êle sagradas e para mim verdadeiras maravilhas de confessionário sociológico, audiências públicas, tôdas as sextas-feiras, com o belo fidalgo moreno de cabelo todo branco ouvindo com o mais sincero interêsse quanto plebeu o vinha aqui procurar e queixar-se de abusos de ricos e de violências de políticos - abusos e violências contra as quais agiu sempre com severidade; êle, que me permitiu conhecer de perto os motivos por que veementes jornalistas tidos por modelos de brio, uns já veteranos, outros ainda jovens, uns do Recife, outros do Rio, se tornaram inimigos do seu Govêrno - motivos nem sempre honrosos para os aparentes campeões de causas nobres e adversários terríveis de homens públicos, injuriados e caluniados por não abrirem as burras do Estado às ganâncias excessivas de dinheiro. Foi Estácio Coimbra, neste Palácio-escola, que me fêz, mais do que ninguém, ter confiança em mim não só para escrever como para agir. De modo que se no livro que o Estado de Pernambuco hoje publica em edição popular há um sentido se ação ao lado do puramente intelectual; se nêle há a filosofia política descoberta por Prudente de Moraes neto ao lado da sua possível ciência e da sua possível arte, isto se deve, em boa parte, à minha convivência durante quatro anos, neste Palácio-laboratório, com o brasileiro ilustre que aqui, tanto quanto no Senado Federal, como Vice-Presidente da República em dias difíceis, fêz história, e da melhor - ainda para ser escrita - pretendendo que também eu viesse a fazê-la um dia, como seu discípulo e talvez seu continuador de arte política e de arte administrativa. Notórios acontecimentos impediram que tal se realizasse, deixando-me a alternativa de apenas escrever, desajeitadamente, história quando eu sonhava também fazê-la, não discursando, debatendo e vociferando nas Câmaras, segundo a receita arcaicamente parlamentarista do agora egrégio - na sua qualidade de ex-Presidente da República Café Filho, porém exercendo postos executivos; não apenas escrevendo deficientemente sociologia mas também, bem ou mal, praticando-a .

     Assim é o destino dos homens. Mesmo os aparentemente realizados são, vistos de perto, um tanto frustrados. Não digo que, entre escrever o livro Casa-Grande & Senzala e governar o Estado de Pernambuco, eu preferisse governar Pernambuco. Mas confesso que, jovem, muito desejei escrever um dia êsse ou outro livro, sem deixar de vir a governar Pernambuco. Sonho que agora já não tenho. Como o frade poderei dizer: "ë tarde, é muito tarde!"

     Melhor, talvez, para mim e, decerto, para Pernambuco que não tenha conseguido realizar tal desejo; e aqui esteja, nesta semi-solenidade confessando um ambição inatingida e um fracasso que sòmente eu sinto, tão ìntimamente o tenho guardado. É, talvez, entretanto, a momento justo de confessá-lo. Segundo os psicanalistas, não devemos abafar nossas frustrações, por uma convencional discreção confundida por vêzes com elegância de maneiras: convencional elegância que tem feito de tantos gentlemen inglêses, ou anglicizados, perfeitos neuróticos.

     Aos frustrados da minha espécie tem servido de consôlo o reparo, aliás inexato, de Wilde: que qualquer indivíduo pode fazer história, sendo raros os capazes de escrevê-la. Palavras que aplique já, eu próprio, a dois frustrados eminentes neste particular: o autor de História do Direito Nacional, Martins Júnior, e o autor de Dom João VI no Brasil, Oliveira Lima, grandes pernambucanos do Recife - e há quanto tempo um recifense não é considerado digno de ser governador de Pernambuco! - que faleceram sentindo-se um e outro incompletos por não terem realizado esta ambição: a de governarem o Estado de Pernambuco. Assim são os homens simplesmente homens: contraditórios e paradoxais. Até o que escreveu a Divina Commedia quis ser governador de Florença com o risco de lhe queimarem os originais do livro universal.



Fonte: FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: discursos no lançamento da edição popular. Recife: Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1967. 21p.

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