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Assinatura de Gilberto Freyre
Livros Publicados no Brasil  



HISTÓRIA FEITA POETICAMENTE*


Olívio Montenegro

Não deixa de ser estranho na vida intelectual do Brasil o caso de um escritor que, fazendo obra mais de ciência do que de literatura, atraísse tão rapidamente o público numeroso que tem o sr. Gilberto Freyre, e em menos de dez anos pudesse dar de um livro como Casa-Grande & Senzala, quatro edições.

Mas explica-se: poucos autores entre nós que em assuntos da especialização de vários dos seus livros apresentem a mesma plasticidade de idéias e o mesmo movimento de imagens. O seu especialismo científico não quer dizer a caça a uma verdade única com exclusão de outras; não é o ponto de mira de um cano de espingarda.

E o não sei que de organicamente pensado de quase todos os seus livros os faz, por mais diversos que às vezes pareçam, como complemento um do outro.

Por outro lado, dificilmente o pensamento desse autor está a se exercer em função de valores isolados da nossa cultura; exerce-se mas é em função de uma realidade social e humana que implica quase sempre na apreciação de uma variedade de valores ao mesmo tempo. Ainda tratando de assuntos por vezes do maior particularismo de idéias o sentido de generalidades é que acaba dominando em todos eles, generalidade significando aqui esse impulso que não é apenas da inteligência e também da imaginação para agitar das coisas os seus valores mais largos e mais vivos. Ou melhor, para exprimí-lo tanto quanto possível em correspondência com os ideais do homem.

O método da ciência está visto que por si não bastaria para esse efeito. Para que se acerte no jogo das afinidades, das atrações, das simpatias, dos reconhecimentos secretos que substituem entre coisas e vidas da natureza, é preciso que intervenham os recursos da arte.

Pouco importa que de certas ciências mais chegadas à inteligência técnica possa se dizer que prescindem dos elementos da arte; nas ciências de um valor mais puro esses elementos são indispensáveis; na historia e na sociologia, por exemplo. São ciências, estas, que francamente não saberíamos como se realizarem em todo o seu poder de descoberta, independente de certas qualidades de imaginação e de gosto. Sem essa faculdade de apreensão estética que Whitehead em Sciense & Modern World, julga inseparável de todo o verdadeiro homem de ciência.

Os fenômenos do domínio da sociologia são de uma tal complexidade que os métodos racionais de análise por si só não bastariam para organizá-los numa síntese ideologicamente verdadeira e praticamente útil.

Seria bem difícil compreender autor de história ou de sociologia à maneira de um Spengler, ou de um Keyserling, ou mesmo de um Simmel, desprovido desse estimulante senso estético que serve para graduar, desenvolver em ato intuitivo o poder de observar e compreender as coisas. Queremos mesmo pensar que nenhum ciência por mais positiva atinge ao seu plano de generalização ou ao seu máximo de verdade pelo regime ascético da pura abstração ou da pura análise.

Foi o encanto estético ligado à teoria de Copernico que aguçou em Kepler, diz Sulivan, uma visão mais realista do seu sistema cosmográfico, e que já nos gregos havia influído para a idealização dos círculos perfeitos a que devia estar subordinado o movimento dos astros.

Mesmo em temas de um sentido literário, quando o sr. Gilberto Freyre nos dá o perfil de alguma das grandes figuras da nossa história e das nossas letras, é fácil observar como nele se encontram e se completam a visão do artista e do sociólogo. Como uma aguça a outra exaltando a uma forma quase de símbolo a muitos destes seus perfis. Alongando-os em uma humanidade que não é a do homem em função do seu meio ou em conflito com o seu meio.

Basta vermos o seu estudo sobre Euclydes da Cunha, publicado na Revista do Brasil, de janeiro de 39, dos mais intensamente críticos que conhecemos, e em relação ao que exprime um dos mais sintéticos - em relação a tudo o que exprime do espírito e do caráter de Euclydes da Cunha, do que neles se pode achar de mais desigual e menos harmonioso e ao mesmo tempo de mais incisivo e dramático. Um dos grandes segredos da arte de Gilberto, neste como em quase todos os seus ensaios sobre grandes figuras do Brasil, é dar das personalidades que ele estuda não só o que nelas porventura existe ainda imaturo e de potencial, as suas formas íntimas de probabilização, mas o que transborda dessas personalidades em todas as coisas e figuras do ambiente onde elas atuam; e por outro lado sugerir das coisa, dos objetos e do meio natural não só o seu caráter exterior, mas o que deles transborda na consciência e na imaginação do homem. Ou em outras palavras: é o seu talento para unificar a vida.

De Euclydes da Cunha diz o sr. Gilberto Freyre que "não só acrescentou-se aos sertões como acrescentou os sertões para sempre à sua personalidade e ao caráter brasileiro de que ficou um dos exemplos mais altos e mais vivos. Uma espécie de mártir".

É que efetivamente em nenhuma obra se refletiu Euclydes da Cunha com mais intensidade do que no Os Sertões. E por outro lado a paisagem e o homem do sertão em ninguém influíram com um poder mais poético de sugestão do que em Euclydes da Cunha. Se o sertão com a sua natureza estranhamente rude e forte foi para Euclydes da Cunha uma espécie de descoberta, uma como inesperada conquista da sua sensibilidade e da sua imaginação, ele por sua vez no contato com o clima, com a natureza e com o homem do sertão descobriu-se totalmente a si mesmo. Um revela o outro. Daí por certo o espírito profundamente brasileiro do seu livro, a exaltação de um tom quase épico dos seus descritivos. Daí ainda "impossível separar Euclydes dessa paisagem-mãe que se deixou interpretar por ele e pelo seu amor como por ninguém".

Não sei de autor brasileiro mais em termos de melhor compreender e interpretar o espírito e a obra de Euclydes da Cunha do que o autor de Casa-Grande & Senzala. Não por alguma semelhança profunda, ou uma dessas identidades de espírito que irmanizam os dois escritores.

Em Euclydes da Cunha a preferência pelas formas esculturais na representação dos fatos históricos, se não deixa de exprimir uma qualidade de sua linguagem, um virtuosismo do seu estilo, um atributo mais plástico do seu gosto, exprime muito mais o efeito de sua visão particularista das coisas, do seu impulso para exagerar o indivíduo, para simplificar o real com sacrifício muitas vezes de valores abstratos essenciais. Uma tendência esta parecida com a de muitos romancistas da escola naturalista que procuram reduzir todo o mistério da psicologia à expressão de um traço dominante, e nesse traço condensar todo um caráter ou todo o indivíduo. Talvez por este motivo ainda se possa explicar que os relevos esculturais da obra de Euclydes, de uma tão sólida imagem nas representações de detalhe, relaxem-se em ênfase verbal, ou dissipem-se em ardores de oratória quando chega a vez de pesquisar verdade de um sentido menos concreto.

Mas no autor de Casa-Grande & Senzala, não é dizer nenhuma novidade afirmar o notável equilíbrio que transparece de toda a sua obra entre os valores da inteligência subjetiva e os da imaginação mais voluptuosamente plástica.

Há, entretanto, um "espírito histórico" na obra de Euclydes da Cunha, e que envolve o fervor muitas vezes poético do seu brasileirismo que ninguém, como disse, como mais temperamento para adivinhar e sentir do que Gilberto Freyre. É um espírito histórico que tem os seus pontos profundos de contato com o que domina toda a obra sociológica deste autor - assimilativo do caráter da nossa vida social em tudo o que ela exprime de relações mais dramáticas.

Não foi Spengler o primeiro a dizer que a história fazia-se poeticamente.

Antes dele já João Batista Vico reclamava para o historiador certas faculdades que parecem mais próprias da arte do que da ciência, de faculdade que segundo esse autor estavam ligadas "a lógica de representação, da imaginação e da intuição". E a verdade é que se lhe falta esse poder criador de representação o passado ficará sempre para todo o historiador um segredo inescrutável.

A história toca com a poesia e com o romance porque ainda é uma arte de unificar a vida no que tem a vida de mais expressivo nas suas manifestações de sentimento, de idéia de ação. Para reviver portanto o passado não basta reter os fatos do passado; o verdadeiro historiador é o que penetra o passado por absorção, por simpatia, ou por uma tal solidariedade de espírito, de temperamento, de imaginação que o presente ficaria um tempo absurdo e sem sentido uma vez isolado do outro tempo que o antecedeu.

Ora, esse poder de simpatia, de união mais intelectual, afetiva com a vida histórica do seu país é o que precisamente mais fortalece todos os trabalhos de Gilberto Freyre, desde a sua conferência aos dezessete anos no Colégio Americano Batista do Recife, onde já se exprimia com uma madureza de idéias, um ritmo de frase, uma experiência crítica que ninguém diria em tão verde idade. A uma certa altura desta conferência ele já se projetava nestas palavras: "Não sejamos meros ideólogos nem simples utilitários, mais idealistas práticos. É tempo do Brasil desapegar-se das fórmulas vagas, procurando "ver" e "observar" os seus problemas em vez de ater-se ao que está escrito nos livros estrangeiros".

A sua obra de adulto foi um exemplo concreto, de uma extraordinária precisão, do conselho que ainda quase menino havia audaciosamente dado aos seus colegas. E esse objetivismo idealista pregado aos dezessete anos com o tempo não faz senão se apurar em compreensões cada vez mais lúcidas e mais profundas da vida brasileira, vida que nos seus melhores livros deixa a impressão de ter absorvido na sua própria.

Há muitos escritores de um pensamento profundo às vezes mesmo de uma excelente poesia no que escrevem, ou dotados, como outras vezes acontece de uma maneira fácil e brilhante de dizer, mas a quem talvez não fosse possível atribuir um estilo, atribuir uma forma pessoal, única e intransferível de expressão - o poder enfim de fazer da palavra a maneira plástica e viva da sua própria sensibilidade.

Gilberto Freyre, diga-se sem exagero, esse poder é dos que mais se destacam em toda a sua obra de sociologia no Brasil, idéias, fatos, homens, tudo o que essa obra reflete da nossa vida social conserva quase sempre a mesma unidade de expressão e a mesma identidade de espírito das coisas ligadas entre si pela influência de um mesmo dinamismo pessoal.

Do ponto de vista da arte do único que aqui nos interessa, o maior escritor não é de certo o que se exprime com mais sutileza de idéias, e antes o que e exprime com mais personalidade; não é o que pensa por amor à abstração mas o que pensa por amor à vida. O que nos leva a compreender perfeitamente a frase de Goethe, "que para pensar não serve de nada o muito pensar". Apenas para se chegar a essa como divina plenitude de espírito e fazer do pensamento uma quase que constante da própria natureza, um brio do temperamento é necessário a força de vivificar em imagens esse pensamento de traduzí-lo em formas a bem dizer sensuais de vida.

E é justamente a capacidade de apreensão intelectual das coisas, mas a de vivê-las como fisicamente, de recriá-las nos seus tipos mais originais e plásticos de expressão o que conduz o escritor a um estilo. É preciso, quero pensar, a maior disponibilidade de espírito no escritor, para ver e pensar de uma maneira autenticamente pessoal, e criar daí uma linguagem correspondente, que se possam enriquecer de novas e imprevistas significações vocábulos de uso comum.

Os exemplos de Joyce, Mallarmé, Chesterton, Carlyle, para citar tão somente os escritores universais que nos seus livros se exprimiram com mais arte são bem significativos. Alguns deles como Joyce e Mallarmé, pela ânsia de traduzirem na forma sensível do verbo o que há de mais inquieto e transitório no sentimento, e o que há de mais fugitivo na percepção da idéia, chegam por vezes a parecer impenetráveis, mas impenetráveis apenas pelo mundo diferente, particularíssimo, de sensações novas que procuram exprimir. Neles a vontade de expressão, da melhor expressão é mais do que uma necessidade lógica, é uma necessidade vital e o estilo nesses casos acabando por isso mesmo menos um problema simplesmente da forma do que da personalidade.

Há que fazer uma diferença entre estilo e boa forma a boa forma como sendo de preferência o equilíbrio, a ordem, o exatamente proporcional e previsto da linguagem como nos clássicos e que aspirasse a um tipo mais geométrico do que romântico de harmonia.

No verdadeiro estilo a ordem e a harmonia têm que ser diferentes: determinadas pela sensibilidade e não pelo verbo; uma qualidade do homem e não da frase. Daí o não sei que de estranho, e muitas vezes de intrincado e provocante que se descobre na linguagem dos escritores verdadeiramente de estilo. As palavras da mesma maneira que os fatos ou idéias por elas representados tornam-se imediatamente uma presa da sua sensibilidade. Uma contensão do seu "eu".

Entre nós, como dissemos, o escritor que mais encontra no que escreve é Gilberto Freyre. Seja, em qualquer dos seus livros publicados, o assunto de que ele trate, ou de sociologia ou de história, ou de poesia, ou de pintura, e a sua linguagem sofre as mesmas refrações da sua personalidade; tende a se desenvolver no mesmo sentido das suas tendências mais íntimas. E por causa desses recursos constantemente pessoais de expressão é que as idéias mais abstratas perdem na sua obra todo o seu ar especulativo, humanizando-se.

Ainda um fato a destacar, e que nos parece bem característico da obra de Gilberto, e a sua unidade de gosto. Quase não se descobre em toda a sua obra de escritor, hoje já bem numerosa, os profundos desnivelamentos, os acidentes de mau gosto fáceis de apontar mesmo em Machado de Assis, em Euclides da Cunha ou em Raul Pompéia, para citar aqueles escritores brasileiros entre nós de um estilo já consagrado pela crítica. A obra de qualquer deles oferece mais de um contraste. Assim é que o primeiros livros de Machado de Assis dificilmente se podem por no mesmo nível dos romances da sua última fase e por outro lado muita da sua poesia e dos seus artigos de jornal mal deixam adivinhar o autor de Dom Casmurro e de Braz Cubas.

Com Euclides da Cunha a desproporção ainda é mais chocante, chocante quando comparamos Os Sertões com os seus outros trabalhos, muitos deles de um verbalismo estentórico, e chocante ainda, dentro do próprio Os Sertões. É que se lendo muitas das páginas da primeira parte do Os Sertões para pô-las depois em paralelo com a parte que trata da guerra de Canudos, de uma sólida harmonia tem-se até a impressão de dois Euclydes, um flutuante, ainda atrás da sua verdadeira expressão, e tocando em muito vocabulário sem gosto, e outro que afinal se achando a si mesmo, batesse no seu verdadeiro assunto e no seu verdadeiro ritmo.

É também o que me parece acontecer com Raul Pompéia, que salvo o O Ateneu, as páginas de memória mais do que as de crônica, não há quem lhe identifique um estilo, ou dentro de um estilo a mesma unidade de gosto.

As obras de Gilberto Freyre não se diminuem porém quando comparadas; até pelo contrário, se completam. E julgo não cair em nenhum exagero dizendo deste escritor brasileiro que é o mais inimigo da ênfase. Desde o começo da sua vida de escritor.

Nunca pude esquecer, digo agora a impressão de surpresa que me causou o primeiro artigo que li desse escritor. Tinha ele então vinte e dois anos. E o artigo era a propósito de um livro de Mário Sete, Senhora de Engenho. Senti um autor diferente. E não foi para sua riqueza de vocabulário, Gilberto Freyre não é aliás um autor que se faça notar pela abundância e variedade do vocabulário o que me encantou foi o realismo de cor desse vocabulário; o que ele encerrava de estranhamente vivo e novo. Em uma palavra, foi o seu estilo o que me surpreendeu: a docilidade com que as palavras pareciam se render voluptuosamente aos apelos menos prosódicos e mais musicais da sua idéia. E mostras consecutivas desse estilo o temos em qualquer dos seus livros, o temos em qualquer dos seus grandes estudos sobre Euclides da Cunha, ou sobre Pedro II.

Há trechos no ensaio sobre Euclides da Cunha que fazem lembrar os do seu livro sobre o Nordeste, este livro de tanta repercussão poética, e que nem por isto perde dos seus atributos de história.

Uma das propriedades do estilo é realizar-se num plano fora de toda abstração: ser concreto. Falar de estilo abstrato por menos que se queira é sempre uma contradição. De todo o estilo pode-se dizer que é o verbo feito homem. E dizer sem metáfora, tanto, nos casos de estilo, a palavra parece enriquecer-se de valores psíquicos profundos, adquirir uma vitalidade intensa e fluida como a do espírito mesmo.

Mas esses formas de expressão que não significam tão puramente um catálogo de lugares comuns, ou de idéias já feitas, e que encarnem do indivíduo o que ele possa ter de mais original, de mais diferente dos outros, em regra não se improvisam, e tão pouco não se chega a elas pela mecânica de nenhum hábito. Não há estilo, como bem diz Thibaudet, onde "não intervenha uma vontade, um artifício, uma reação do homem contra ele mesmo".

Nota-se em todo o estilo uma unidade que poderíamos chamar orgânica pela necessária convergência de todos os seus elementos verbais para uma forma de linguagem que, variando à vontade de significação e de ritmo não perde nunca a sua expressão característica, o seu traço fisionômico. E é essa unidade criada à força de valores convergentes como nos organismos vivos que acaba deixando ao leitor a ilusão de que deve ser coisa fácil o estilo, como se a todo o pensamento seguisse sempre um meio completo e perfeito de expressão. Ou como se as idéias e os sentimentos que exprimem em arte fossem tudo um milagre de inspiração.

Não há, porém, e é o que dizem grandes mestres, verdadeira arte sem trabalho, sem esforço, sem uma vontade coerentemente exaltada pela inteligência e pela imaginação. Daí explica-se naturalmente aquela frase de Thibaudet, e que concorda com outra de André Gide, para quem toda a arte implica num ato de reação do indivíduo sobre si mesmo. O esforço para realizar pela palavra todos os imponderáveis de uma idéia é que exige essa reação que quanto mais paciente mais fecunda.

Mas isto não impede, é claro, que o valor artístico de uma expressão seja tanto maior quanto mais simples é fácil ela parecer. Que o esforço seja dramaticamente heróico como o de Flaubert, mas que a expressão seja natural e viva como a do seu romance Madame Bovary. Escritores como Pascal e Renan de uma facilidade aparentemente angélica em tudo o que escreveram deles, diz Thibaudet, que eram mais preocupados com o estilo do que Taine.

E do próprio Stendhal que se gabava de afiar-se para o seu estilo nas leituras do Código Civil, contam os seus melhores biógrafos que consumia às vezes quinze minutos para achar um adjetivo que não fosse inimigo do seu substantivo.

Esta aparência de facilidade, de simplicidade dentro do maior pitoresco de imagens é um dos mais penetrantes encantos do estilo de Gilberto Freyre, para a maior impregnação da idéia nas palavras, e nas só da idéia, das suas emoções até tirar a essas palavras todo o ranço gramatical, toda a sua dureza lexicológica, tomando, afinal a plasticidade, o movimento, a força de coisas vivas e cheias de alma que elas têm.

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* Com o título, "Em torno de um sociólogo brasileiro", estes artigos apareceram na revista Diretrizes (Rio de Janeiro) de 14 a 21 maio 1942, p. 23 e 27, respectivamente.



Fonte: MONTENEGRO, Olívio. História feita poeticamente. In: FONSECA, Edson Nery da (Ed.). Casa-Grande & Senzala e a crítica brasileira de 1933 a 1944. Recife: Comp. Ed. de Pernambuco, 1985. p. 201-209.

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