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Assinatura de Gilberto Freyre
Livros Publicados no Brasil  



A CANA E A MATA

Sabe-se o que era a mata do Nordeste, antes da monocultura da cana: um arvoredo "tanto e tamanho e tão basto e de tantas prumagens que não podia homem dar conta".

O canavial desvirginou todo esse mato grosso do modo mais cru: pela queimada. A fogo é que foram se abrindo no mato virgem os claros por onde se estendeu o canavial civilizador mas ao mesmo tempo devastador.

O canavial hoje tão nosso, tão da paisagem desta sub-região do Nordeste que um tanto ironicamente se chama "a zona da mata", entrou aqui como um conquistador em terra inimiga: matando as árvores, secando o mato, afugentando e destruindo os animais e até os índios, querendo para si toda a força da terra. Só a cana devia rebentar gorda e triunfante do meio de toda essa ruína de vegetação virgem e de vida nativa esmagada pelo monocultor.

Já os traficantes franceses tinham derrubado muito pau-brasil. Os primeiros portugueses continuaram a derrubar a madeira de tinta com o auxílio dos índios. E a apanhar macacos e papagaios, a matar animais para o comércio de peles e de penas.

Mas foi com o começo da exploração agrícola que o arvoredo mais nobre e mais grosso da terra foi sendo destruído não aos poucos, mas em grandes massas: a baraúna, o pau-d'arco, o angelim, a sucupira, o amarelo, o visgueiro, o angico, o pau-ferro. Madeiras hoje de uma raridade tão grande - informa-nos um estudioso especializado no assunto - que sai mais barato ao senhor de engenho comprar nos armazéns do Recife madeira do Pará que utilizar a dos seus restos da mata.

Poucas dessas madeiras foram utilmente aproveitadas para trave de casa-grande, roda-d'água de engenho, carro de boi. Grande parte foi a coivara que simplesmente desmanchou em monturo; foram as fornalhas de engenho que engoliram; os portugueses que levaram para construir navio e porta de convento em Portugal. Às vezes esbanjou-se madeira de lei fazendo-se cercas enormes dividindo um engenho de outro. Luxo de privatismo. Vaidade de senhor de engenho patriarcal.

A cana começou a reinar sozinha sobre léguas e léguas de terras avermelhadas pela coivara. Devastadas pelo fogo.

Nunca foi mais violento nos seus começos o drama da monocultura que no Nordeste do Brasil. Nem mais ostensiva a intrusão do homem no mecanismo da natureza.

A natureza, sabe-se pelos estudos de ecologia do animal ou da planta, que é "essencialmente variada". O homem rompe o equilíbrio que depende dessa variedade quando faz que uma planta única e no momento valorizada mais do que as outras cresça sobre uma região inteira. É o drama da monocultura.

Em estado de variedade, tudo se concilia e se compensa. Em estado de monocultura absoluta, tudo se desequilibra e se perverte na vida de uma região. A história natural - como a social - do Nordeste da cana, nestes quatro séculos, é uma história de desequilíbrio, em grande parte causado pelo furor da monocultura. Suas fomes, algumas de suas secas e revoluções são aspectos desse drama.

Não que a cana fosse aqui um intruso ou um indesejável como o coelho foi na Austrália, onde perturbou todo o equilíbrio entre a vida animal e a das plantas; como o cambará, levado do Brasil para o Ceilão, foi na Indochina e na Índia. Ao contrário: a cana é um dos casos de transplantação mais felizes. Encontrou aqui terra ótima. O drama que se passou e se passa ainda no Nordeste não veio do fato da introdução da cana, mas do exclusivismo brutal em que, por ganância de lucro, resvalou o colono português, estimulado pela coroa na sua fase já parasitária.

Desse drama, um dos aspectos mais cruéis foi o da destruição da mata, importando na destruição de vida animal e é possível que em alterações de clima, de temperatura e certamente de regime de águas. Alterações desfavoráveis à própria cana e ao próprio senhor de engenho. Desfavoráveis à vida do homem e dos animais da região.

Além do que, com esse estado de guerra entre o homem e a mata, que foi aqui tão franco, não puderam desenvolver-se entre os dois aquelas relações líricas, aquele sistema meio misterioso de proteção recíproca entre o homem e a natureza, aquele amor profundo do homem pela árvore, pela planta, pelo mato, pela terra, que os sociólogos e os economistas estão fartos de nos apontar como característico das sociedades verdadeiramente rurais. Das mais saudáveis, pelo menos, e não pervertidas pela monocultura furiosa.

A monocultura da cana no Nordeste acabou separando o homem da própria água dos rios; separando-o dos próprios animais - "bichos do mato" desprezíveis ou então considerados no seu aspecto único de inimigos da cana, que era preciso conservar à distância dos engenhos (como os próprios bois que não fossem os de carro). E não falemos aqui da distância social imensa que a monocultura aprofundou, como nenhuma outra força, entre dois grupos de homens - os que trabalham no fabrico do açúcar e os que vivem mal ou volutuosamente dele.

Com a destruição das matas para a cana dominar sozinha sobre o preto, o roxo ou o vermelho dessa terra crua, a natureza do Nordeste - a vida toda - deixou de ser um todo harmonioso na sua interdependência para se desenvolverem relações de extrema ou exagerada subordinação: de umas pessoas a outras, de umas plantas a outras, de uns animais a outros; da massa inteira da vegetação à cana imperial e todo-poderosa; de toda a variedade de vida humana e animal ao pequeno grupo de homens brancos - ou oficialmente brancos - donos dos canaviais, das terras gordas, das mulheres bonitas, dos cavalos de raça. Cavalos de raça tantas vezes tratados melhor que os trabalhadores da bagaceira.

Desenvolveu-se entre nós, como adiante se salientará neste ensaio, um amor todo especial do aristocrata da cana pelo cavalo, que lhe completava a figura senhorial. E com esse amor, um conhecimento minucioso do cavalo pelo senhor de engenho, com prejuízo do seu interesse pelos outros animais, sobretudo pelos do mato, simples animais de caça, um ou outro, de curiosidade, sendo então conservado em casa, nas gaiolas do corredor ou em alguma árvore do quintal - o sagüim, o papagaio, a arara, o galo-de-campina, o canário. Mas estes próprios conservados mais para as "brigas de canário", tão dos engenhos patriarcais, e por conseguinte, com um fim todo sádico, do que por interesse, mesmo superficial, pela sua cor ou pelo seu canto. Os passarinhos favoritos dos senhores de engenho eram os canários de briga e não os cantadores ou de cor viva e plumagem bonita.

O brasileiro das terras de açúcar quase não sabe os nomes das árvores, das palmeiras, das plantas nativas da região em que vive - fato constatado por tantos estrangeiros. A cana separou-o da mata até esse extremo de ignorância vergonhosa. Na mata, ele vê vagamente o pé de árvore e às vezes, quase desdenhosamente, o pé de pau. Quase que só o caboclo, o descendente de caboclo, do índio, do nativo, ou então do quilombola, em matas como a de Catucá - o negro fugido que se fez íntimo da natureza da região - pode nos guiar pelos mistérios dos restos de floresta do Nordeste, dando-nos a conhecer pelo nome - o nome indígena, em grande número de casos - cada árvore que nos chame a atenção; o valor de cada pé de pau para a medicina caseira, para a serraria, para os ninhos de aves.

Foi certamente com caboclos ou negros curandeiros que se instruíram sobre raízes, ervas, plantas do Nordeste aqueles portugueses que, no século XVIII, puderam escrever para a Metrópole cartas como esta: "Em 4 de Março proximo passado tive a honra de remetter a V. Exa. um mappa das raízes e hervas de que usam os moradores da Comarca das Alagoas no curativo das suas molestias, e com que experimentam saudaveis effeitos; as quaes raízes e hervas foram em um caixote: E continuando a informar a V. Exa. sobre o mesmo interessante objeto, remetto a Respeitável Prezença de V. Exa. as raizes, hervas, cascas, e frutos de que usam para o curativo de algumas molestias, feridas, chagas ou mordeduras os indios, e mais habitantes da Capitania da Parahyba do Norte em tres caixões que levam as divizas que as distinguem, e o fazem conhecer pelos seus proprios nomes, expeto as batatas que só reconhecerão pelos frutos de casca preta, dos quaes vae uma boa porção no caixote numero 1: tudo entregue a Jacyntho Gonsalves de Oliveira capitão do Navio Nossa Senhora Conceição, e S. José Flor do Mar; e inclusa nesta vae um abcedario em que se declaram as applicações de cada uma das mesmas raizes, hervas, cascas, e frutos; sobre os quaes poderá V. Exa. mandar fazer as provas que julgar necessarias para se conhecer a utilidade que o Reino pode tirar das plantas que ha naquella Capitania. Recife 8 de Maio de 1788. Martinho de Mello e Castro." Carta que se encontra entre os mss. da Correspondência com a Corte, do Arquivo da antiga Capitania de Pernambuco (ano de 1788), conservados na Biblioteca do Estado de Pernambuco.

Por ela se vê que dos homens portugueses de governo destacados no Brasil alguns preocuparam-se sensatamente com o assunto. Mais, talvez, do que os já brasileiros por várias gerações de casa-grande.

Nunca nos esqueceremos do dia em que entramos por uns restos de matas virgens do Sul de Pernambuco com o seu dono, nosso bom amigo Pedro Paranhos, senhor de Japaranduba. Ele sabia quase tão mal quanto nós, menino de cidade, os nomes das árvores da mata grande do seu engenho. Entretanto eram suas conhecidas velhas desde o tempo de menino. Mas simples conhecidas de vista. Foi preciso que o caboclo nos fosse dizendo: isto é um pé disso; isto é um pé daquilo; isto dá um leite que serve para ferida brava; isto dá um chá que serve para as febres.

Essa distância entre o colono branco e a mata, entre o dono de terra e a floresta, explica o nosso quase nenhum amor pela árvore ou pela planta da região, quando se trata de arborizar as ruas das cidades do litoral. Explica a indiferença com que deixamos que a arborização das cidades do Nordeste vá se estandardizando no fico benjamim e no eucalipto australiano.

Ninguém diz que nos devemos fechar às novidades e aos brilhos da planta exótica. Da acácia de Honolulu, por exemplo, ou da vitória-régia.

Há muita árvore, hoje nossa para todos os efeitos, que nos veio de fora: a mangueira, a jaqueira, a fruta-pão. Mas só pelo fato de não se ter desenvolvido entre nós nenhum lirismo entre o homem e a mata, se explica a indiferença, tão da gente do litoral do Nordeste, pela árvore da terra. Desprezada desse jeito, a árvore da terra acabará talvez vencida de todo pela estranha ou pela simplesmente aclimada aqui, nos antigos hortos del-Rei. E essa vitória assim à grande, com conseqüências infelizes quase certas do ponto de vista ecológico.

Os estetas que, em diferentes épocas, nos têm querido impor aos parques ou às ruas, numa generalização contra toda a harmonia da natureza regional, plantas de fora - o fico benjamim, o cacto mexicano, o eucalipto australiano, a acácia de Honolulu - devem lembrar-se de uma coisa: que não se brinca em vão, ou sem correr algum risco sério, com a vida vegetal de uma região; que esta, afetada na sua interdependência de relações por planta estranha ou por animal intruso, que se torne predominante, pode desequilibrar-se a ponto de perturbar o próprio homem na sua economia e nas suas fontes mais puras de subsistência. É lição dos ecologistas, e não simples grito de alarme dos sociólogos românticos.

Com relação ao eucalipto, o Professor Konrad Guenther, que é um fitopatologista notável, já escreveu alarmado com a sua propagação no próprio Nordeste: "nesta árvore o pássaro brasileiro não tem onde se refugiar" [1]. Parece a lamentação de um poeta e é a advertência de um cientista.

Se o passarinho do Nordeste não pode se refugiar no eucalipto, nem fazer o seu ninho nessa árvore magra e godera, que suga tanto a terra e dá tão pouca sombra ao homem e tão pouco abrigo ao animal, a sua disseminação em parques e até em matas inteiras significa um perigo para a vida não só vegetal, como animal e humana, da região. Porque dessas aves, que estão sendo sacrificadas pelo triunfo cada vez maior do eucalipto, depende a saúde de muita planta útil ao homem e à economia da região, que os pássaros defendem, como nenhum agrônomo, das lagartas e dos vermes daninhos. O caso do anum ou do alma-de-gato, por exemplo, cuja ação profilática dificilmente se pode exagerar.

Qual a vantagem do fico? A de crescer depressa. A do eucalipto? a de crescer depressa e a de chupar a água dos pântanos, saneando-os e acabando com o mosquito das águas paradas. Mas os naturalistas nos dizem que há uma variedade de árvores nossas que crescem depressa e se prestam melhor que o fico e que o eucalipto à arborização das cidades. Árvores capazes de dar às ruas as melhores sombras do mundo, sem arrebentar as calçadas com as suas raízes escandalosas e intrusas.

E quanto ao fato do eucalipto se prestar tão gulosamente a nos secar os pântanos, ecologista nenhum se limita a ver aí a vantagem, tão exaltada pelos higienistas dos subúrbios e pelos burocratas das prefeituras, da extinção dos mosquitos nos arrabaldes: há que enxergar também desvantagens e até perigos para a natureza da região no seu todo. Desse saneamento do pântano pode resultar, na verdade, desequilíbrio profundo sob o ponto de vista ecológico: o eucalipto australiano viria concorrer, com as suas raízes tão exageradamente gulosas de água, para diminuir a própria umidade do nosso solo, talvez relacionada com a maior doçura do clima.

Os que se têm ocupado da fitogeografia do Nordeste estão cansados de destacar a importância da vegetação, como garantia de condições de umidade. Mas vegetação adequada, é claro; e não do tipo do eucalipto australiano, quase doentiamente especializado em sorver o melhor suco da terra.

A propagação de árvores desse tipo entre nós, longe de vir resolver o problema do reflorestamento da região, viria talvez comprometê-la ainda mais na sua saúde econômica, já tão má, e nas suas condições de vida e de equilíbrio, cada dia mais precárias. Pois não nos esqueçamos da advertência do agrônomo Vasconcelos Sobrinho em estudo recente: a de que as regiões intertropicais como o Nordeste do Brasil "estão muito mais sujeitas ao desgaste do solo que as temperadas" [2].

Essas condições já se acham comprometidas do modo mais profundo pela devastação das matas, alarmante no mais industrializado Pernambuco. A "zona da mata" no Nordeste é hoje uma sub-região de restos de mata, de sobejos da coivara. Sub-região onde o canavial e o engenho se instalaram sem outra consideração que a de espaço para a sua forma brutal de explorar a terra virgem. Sem nenhum cuidado pela parte agrícola dessa exploração. Simplesmente devastando-se a mata a fogo, plantando-se a cana e só a cana pela mão do negro indiferente e abandonando-se a terra aos primeiros sinais de cansaço. O sistema agrícola da monocultura latifundiária e escravocrata foi aqui o quase militar da conquista de terras para fins imediatos de guerra ou de campanha. Não se pensou nunca no tempo, mas só no espaço; e no espaço, em termos de um só produto a explorar desbragadamente - o açúcar. Exploração com fins imediatos.

A monocultura teve de ser latifundiária e escravocrata pelas suas próprias condições de sistemas de exploração agrícola quase militar, talvez necessário em terras como as do Brasil de 1500; teve de ser essa conquista, à grande e pelo fogo, de espaços sempre novos e quanto possível virgens; essa conquista militar, e sem amor, da natureza bruta, antes da devastação pelo colonizador português apenas arranhada na sua virgindade pelos começos de lavoura do índio.

Dentro de tais condições não era preciso que se desenvolvesse aqui a figura do lavrador: bastava a do senhor de engenho gritando para o negro do alto da casa-grande ou de cima do cavalo; bastava a do escravo cumprindo as ordens do senhor ou do feitor; bastavam as mãos e os pés do negro; bastava o seu sexo capaz de larga procriação. Nem precisava que ele trouxesse uma alma capaz de se ligar às árvores, aos pássaros e aos bichos.

O escravo africano é que não se deixou reduzir a mãos e pés nem mesmo a sexo. Ao mesmo tempo que ele, vieram para aqui algumas das árvores e plantas da África mais queridas à sua alma e aos seus olhos. E às vezes o negro amou e respeitou nas árvores, nas plantas e nos bichos da terra, para ele estranha, as árvores, as plantas e os animais parecidos aos do seu país de origem. Mas nada disso impediu que ele, como escravo agrícola, se tornasse o instrumento do sistema bruto de exploração agrícola que tornou possível a rápida civilização do açúcar do Nordeste. Rápida, porém mórbida. E mórbida sobretudo nos seus prolongamentos atuais.

Porque tal sistema militar de agricultura nos viria até hoje. Declinaria com o maior número de engenhos - fenômeno da segunda metade do século XIX - para se acentuar com o maior prestígio das usinas na paisagem da região - fenômeno dos últimos cinqüenta anos. Com a concentração da propriedade territorial no Nordeste em verdadeiros principados.

Como salientou há pouco, numa das páginas mais inteligentes que já se escreveram sobre o problema da devastação das matas entre nós, o Professor da Escola Superior de Agricultura de Tapera, Dom Bento Pickel, "o sistema de latifúndios que se está apoderando das terras tem tendência de unir as plantações, derrubando-se para este fim as faixas de matas para 'emendar' [3]. Emendar os canaviais.

O sistema de latifúndio moderno é o da usina: sua ânsia, a de "emendar" os campos de plantação da cana, uns com os outros, formando um só campo, formando cada usina um império; seu espírito, aquele militar, a que já se fez referência. O espírito do senhor latifundiário que procura dominar imperialmente zonas maciças, espaços continuados, terras que nunca faltem para o sacrifício da terra, das águas, dos animais e das pessoas ao açúcar.

Açúcar com A maiúsculo. Açúcar místico. Um açúcar dono dos homens e não ao serviço da gente da região. Quando muito, ao serviço de uma minoria insignificante. Mas nem isto. O usineiro é, em geral, ele próprio um deformado pelo império do açúcar.

Philipp von Luetzelburg, figura quase romântica de cientista alemão que durante longos anos ligou sua vida ao estudo germanicamente minucioso das plantas e das matas do Nordeste, acredita que as matas de Pernambuco cubram hoje 14% da área do Estado, contra 34% da que cobria primitivamente [4]. Para o agrônomo Vasconcelos Sobrinho a área coberta pelas matas é ainda mais reduzida: mesmo incluindo os capoeirões, não atinge 10% da superfície total do Estado [5]. É quase a saarização.

Chega-se mesmo a esta previsão melancólica: a de continuar o resto da mata de Pernambuco a fornecer lenha, dormentes e madeira para o Estado inteiro e até para alguns estados vizinhos - para as usinas, as fábricas de tecidos, os engenhos, a Great Western, as padarias, as cozinhas, num volume, segundo cálculo oficial, de aproximadamente dois milhões e meio de metros cúbicos por ano -, dentro de poucos anos as últimas reservas pernambucanas de floresta estarão desaparecidas de todo. Só restará o arvoredo mais magro e mais resistente. Os ossos da mata.

Entretanto, há quatro séculos, o arvoredo do Nordeste era "tanto e tamanho e tão basto e de tantas prumagens" que "não podia homem dar conta". Surpresa dos europeus. Espanto dos primeiros cronistas.

O que Portugal retirou de madeira do Nordeste do Brasil - madeira gorda e de lei, que a outra lhe dava até repugnância - para levantar ou reparar seus conventos, suas igrejas, seus palácios, toda a sua arquitetura volutuosa, para construir seus barcos e seus navios, forma um capítulo da história da exploração econômica do Brasil pela Metrópole, na sua fase já parasitária, que um dia precisa ser escrito com vagar e minúcia. Quase não há edifício nobre em Portugal que não tenha um pedaço de mata virgem do Brasil resistindo com uma dureza de ferro à decadência que vem roendo a velha civilização portuguesa de conventos e palácios de rei. É o que se vê através de mais de um documento da Correspondência da Corte, do arquivo da antiga Capitania de Pernambuco, que se conserva na Seção de Mss. da Biblioteca do Estado de Pernambuco: a grande importação de madeira de lei do Nordeste pela Metrópole. Entre esses documentos, carta do Marquês de Pombal de 6 de dezembro de 1775, exigindo que do Brasil só fosse para Portugal pau-brasil do melhor e "em toros grossos": nada de paus "miúdos" ou "bastardos" [6].

Essa devastação pelo machado se fez ao mesmo tempo que a do fogo, embora em escala muito menor. Não se cuidou a sério de replantio nem de reflorestamento: só da exploração das matas e da terra. Só da plantação da cana e do fabrico do açúcar. Fazia-se ouvido de mercador às ordens del-Rei a favor das árvores.

O brado do primeiro donatário de Pernambuco contra a devastação das matas ficou uma voz clamando num deserto cada vez maior. Duarte Coelho viu o drama que se iniciava sob os seus olhos de lavrador e, ainda no século XVI, bradou contra o mal. Contra a pirataria de madeira em vez da colonização agrária de que ele foi o grande patriarca.

A cana se estendendo pelos claros abertos a fogo e a machado no mato virgem atenuou o mal da devastação. Porque em alguns desses claros, desde o primeiro século de colonização se levantaram no Nordeste casas de pedra-e-cal, igrejas, colégios de padres; escolas onde se começou o estudo do latim, com os alunos ainda sentindo no rosto o calor das queimadas.

A floresta tropical, devastada pelo colonizador português no interesse quase exclusivo da monocultura da cana ou da Metrópole faustosa, era um obstáculo enorme a ser vencido pela colonização agrária do Nordeste. O colonizador português venceu tão poderoso inimigo, destruindo-o. O colonizador negro, não: venceu-o, em parte, adaptando-se à floresta, em parte adaptando a floresta às suas necessidades de evadido da monocultura escravocrata e latifundiária.

Esse esforço magnífico de adaptação e ao mesmo tempo de domínio sobre a natureza realizado aqui pelo negro, ainda não teve quem lhe fizesse a análise vagarosa e profunda. É um dos aspectos mais expressivos da colonização africana deste trecho da América tropical. O negro, a princípio tão medroso do tapuia e do mato grosso, se assenhoreou depois de algumas das florestas mais profundas do país e submeteu às suas tentativas rudes de colonização policultora, realizadas quase dentro das florestas virgens - que eram uma proteção contra os capitães-de-mato a serviço dos grandes monocultores brancos -, mulheres e até populações indígenas. O máximo de aproveitamento da vida nativa. Inclusive das palmas das palmeiras para numerosos fins, a começar pela habitação: arte em que o negro tornou-se o rival do indígena, a ponto do mucambo de palha ter se tornado tão ecológico como qualquer palhoça indígena. Assunto ferido por nós em ensaio publicado no Rio de Janeiro em 1937, Mucambos do Nordeste, e em várias notas prévias.

O exemplo de Palmares já se tornou clássico. E é tão conhecido que seria banal recordá-lo ainda uma vez. Mesmo porque não é o único na história do Nordeste.

Também em Catucá, matas de Pernambuco vizinhas de alguns dos engenhos mais antigos da capitania, um grupo afoito de quilombolas se estabeleceu na floresta e se assenhoreou dela com uma capacidade de adaptação ao meio e de domínio sobre a vida vegetal e animal da região, que surpreende, em simples evadidos de engenhos de açúcar e sem grandes recursos técnicos para aventura tão arriscada. Catucá surge diante de nós quase como uma afirmação da capacidade do negro para se adaptar rapidamente aos trópicos americanos e às sombras de suas florestas mais profundas, em contraste com a incapacidade dos nórdicos. Porque nessas mesmas matas de Catucá lembraram-se de ir estabelecer-se, em colônia à parte da civilização monocultora fundada pelos portugueses, algumas famílias alemãs. Famílias arrojadas que, entretanto, em poucos anos se degradaram em simples fabricantes de carvão, entrando em conflito com os negros da floresta pernambucana e alguns até perecendo em luta com os pretos quilombolas que os alemães pretenderam expulsar de matas tão dominadas por eles [7].

Na Bahia, Durval Vieira de Aguiar, escrevendo nos últimos dias da monarquia e referindo-se às matas de Orobó, salientou a dificuldade da colonização européia nos trechos de vegetação mais tropical do Nordeste: o europeu só se dispunha a vir para aí conservando, com auxílio do governo, sua alimentação especial; e com ferramentas, pastores, médicos, boticários, escolas, igrejas que o mesmo governo mandasse vir da Europa ou levantasse para proveito deles, depois de derrubadas e roçadas as matas, naturalmente pelos escravos negros. Por isto as matas menos afastadas e de terreno melhor pareciam-lhe dever pertencer aos nacionais - que seriam, em sua maioria, os negros e os negróides. Estes nacionais se não trabalhavam é porque não tinham onde: "porque as terras de lavoura que possuíam ou são as grandes e distantes matas do Estado ou os terrenos monopolizados como verdadeiros feudos, onde o despotismo com a escravatura e os costumes disso conseqüentes estabelecerão praxes e arbítrios a que um homem livre não pode nem deve se sujeitar, sem uma plena garantia de seu futuro, de sua propriedade, de seus haveres, tudo ainda à mercê do capricho do proprietário" [8]. Por outro lado, sem o sistema latifundiário e escravocrata, teria sido talvez impossível a fundação de lavoura à européia nos trópicos, tão cheios de matas, e o desenvolvimento, aqui, de uma civilização a que não faltariam as qualidades e as virtudes das civilizações aristocráticas, ao lado das perversões sociais e dos defeitos econômicos e políticos.

Por baixo dessa civilização aristocrática e volutuosa de seda, de rubis, de azulejo, de latim, de versos, de cama de jacarandá, de cadeira de balanço, de mulher bonita, de cavalo de raça, de licor de caju, de doce fino, deixou-se secar tanta fonte de vida que era natural que a exploração da cana-de-açúcar fosse o que foi neste trecho do Brasil: uma fase, em certo sentido, criadora e sob vários aspectos brilhantíssima; mas tão separada de certos elementos da natureza regional e tão artificial em algumas de suas condições de vida, que apodreceu ainda verde: sem amadurecer direito.

O Maranhão, com seus sobrados grandes se esfarelando de podres e seus grandes homens discutindo gramática, há quase um século é uma ruína da civilização do açúcar. Pernambuco começa a ser outra. Serinhaém e Rio Formoso parecem terras por onde passou um inimigo brutal e não onde se processou uma colonização regular pela agricultura.

A Paraíba, Alagoas, o Rio Grande do Norte, Sergipe, menos oprimidos pelo que já se chamou de "passado aristocrático" - tão intenso e brilhante em Pernambuco e no Recôncavo da Bahia, de senhores menos parecidos com os da capital baiana do que com os de Pernambuco - reagem com maior vantagem contra a decadência a que a monocultura latifundiária e escravocrata do açúcar reduziu tão grande parte do Nordeste, depois de lhe ter dado "a grandeza" que um homem profundamente do Sul, o Professor Coelho de Sousa, ainda há pouco sentiu animar ainda no Maranhão, "a igreja da Sé onde pregou Vieira" e "os sobrados de mirante, telhado de beiral, sacada rendilhada, frente de azulejo... azulejos cor-de-rosa e floridos... verdadeiras jóias" [9].



Notas do Capítulo III

1. Konrad Guenther, A Naturalist in Brazil (trad.), Londres, 1931. [voltar]

2. Vasconcelos Sobrinho, As Regiões Naturais de Pernambuco, cit. [voltar]

3. Dom Bento Pickel, "A Vingança da Natureza", Boletim da Secretaria da Cultura, Indústria e Viação (Pernambuco), tomo III, nº 3, 1934. [voltar]

4. Philipp von Luetzelburg ocupa-se do problema da devastação das matas do Nordeste tem trabalho notável, em três volumes: Estudo Botânico do Nordeste (inspetoria Federal de Obras Contra as Secas), Rio de Janeiro, 1922-1923. [voltar]

5. Vasconcelos Sobrinho, "Ensaio de Fitogeografia de Pernambuco", separata de Fronteiras, Recife, 1936. Sobre o assunto vejam-se também: A. T. Sampaio, Fitogeografia do Brasil, S. Paulo, 1934, e os discursos dos Deputado Renato Barbosa, nas sessões de 5 a 26 de novembro de 1936 da Câmara Federal. Também o capítulo "O Problema da Degradação da Natureza do Nordeste", no recente ensaio do Professor Vasconcelos Sobrinho, AS Regiões Naturais de Pernambuco, cit. [voltar]

6. Em carta de 30 de agosto, o Marquês de Pombal exigia que do Nordeste do Brasil remetessem para Portugal pau-brasil de "qualidade" e "de Ley", em "toros grossos como antigamente vinham para ter a devida substância, sendo todo sendo legítimo para tintas vermelhas, e para que essa ordem tenha o seu devido effetio, fique V. Sa. encarregado de fazer visitar por pessoas intelligentes todo o páo que se recolher nesses armazéns, e achando-se algum que não seja legitimo, e de boa ou ao menos regular qualidade, o faça logo separar e queimar publicamente, para que não succeda carregar-se algum para esta cidade, nem para alguma outra parte, não se pagando a despesa do Corte da conducção, se não do que for bom, e capaz de se carregar; tendo ao mesmo tempo particular cuidado e toda a vigilância em que não possa haver extravio, por minimo que seja no dito genero. Deus guarde a V. Sa. Lisboa 30 de Agosto de 1775. Márquez de Pombal." (Ms. Da Correspondência da Corte, Arquivo da antiga Capitania de Pernambuco, 1775.) E em carta de 6 de dezembro do mesmo ano insistia:
     "Pela minha antecedente de 30 de Agosto próximo passado fis sciente a V. Sa. que El Rey meu Senhor fora servido prorogar o contracto do consumo de Páo Brasil por outros nove annos, aos mesmos contrctores David Purry, e Gerardo Desvime, para principiar em primeiro de Janeiro proximo futuro de 1776, com obrigação de extrahirem vinte mil quintaes do dito gênero em cada anno. Encommendei a V. Sa. de continuar a promover os competentes córtes e regular as remessas, de que está encarregada essa Direcção da Companhia Geral de Pernambuco e Parahyba, em termos que aqui não falte annualmente a dita quantidade de Páo; e com a advertência de que não se córte, nem se carregue algum que não seja de Ley, de boa qualidade, e em tóros grossos; e que todo seja legitimo para tintas vermelhas, e não falsificado, para cujo effeito de se reparar, e queimar todo o que não for legitimo e de boa qualidade e não se pagando a despesa do córte se não do que fôr bom, capas de carregar na referida forma, e recommendando-lhe ultimamente a evitar todo, e qualquer extravio, ou descaminho do referido gênero, agora devo accrescentar que em coordenação de outras representações dos sobreditos contractores alem do referido contracto, em que muito interessa a fasenda Real, he o mesmo Senhor Servidor Ordenar novamente que, na referida inspecção que tenho encarregado V. Sa. sobre o córte, recolhimento, remessas, e extravios do Páo Brasil, haja observar, e fazer observar, as mais advertencias que se seguem.
      1º) - Que todos os tóros que se carregar sejam bons de receber, sem que haja algum de Ramos secos, ou de troncos carunchosos, nem de Páo Branco, ou falso.
      2º) - Que não exceda cada hum dos tóros de seis palmos sendo todos limpos e despidos de toda a sua casca e todos marcados distinctamente com a marca R de fogo em ambas as extremidades.
      3º) - Que se cuide muito em precaver que não se molhe o dito Páo, como algumas vezes tem sucedido, ou com chuva ou com a maré quando o apanha nas prayas depois de tirado das embarcações pequenas que condusem, por pouco cuidado de o recolher Logo nos armasens, não se atendendo o que agora lhe tira toda a substancia.
      4º) - Que se carregue o Páo dividido com proporção pelos navios que no decurso do anno houverem de o condusir a Lisboa, para evitar o inconveniente e grande prejuiso que poderia seguir-se a este contractos se huma porção grande carregada em hum navio viesse acahir toda junta em navios de inimlgos, ou Piratas.
      5º) - Que a entrega do Páo aos capitãos ou mestres dos navios, que o condusirem para Lisboa se faça com toda a cautela, e exactidão, assim na quantidade dos tóros, como no prazo, para que eles não possam fazer o contrabando que se tem verificado em alguns anos passados; para que não se achem a cada passo diferenças de mais, e de menos, nas entregas que fasem na casa da Índia.
      6º) - Que se tomem todas as cautelas, e haja todo o cuidado em todos os portos dessa Capitania para impedir qualquer exportação do dito Páo por contrabandos ou extravios, seja por navio estrangeiro, ou portuguez ou de qualquer outro modo que possa acontecer; fasendo-se castigar rigorosamente qualquer delicto a este respeito com as penas da Ley.
      E para que todas estas providencias tenham em todo a devida observância, hé outro sim Servido o mesmo Senhor que V. Sa. as faça registrar na secretaria desse governo, e que annualmente se me dê conta de tudo o que occorrer emcontrario. Lisbôa 6 de Dezembro de 1775. Marquez de Pombal". (Ms. Da Correspondência da Corte, Arquivo da antiga Capitania de Pernambuco, 1775.) [voltar]

7. Nos livros de Correspondências dos Cônsules conservados em ms. Na Seção de Mss. Da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, encontram-se várias referências ao estabelecimento da colônia de europeus do Norte em Catucá. Essa colônia de europeus do Norte em matas quase virgens do Nordeste foi uma das primeira tentativas de colonização alemã do Brasil. O ponto escolhido, "o lugar da Cova da Onça, vulgarmente chamado Catucá, sete léguas desta cidade[Recife] no centro de Matas feixadas, que até agora erão occupadas por negros fugidos, que ali viverão reunidos em formidáveis Quilombos", informa o Presidente da Província Tomás Xavier Garcia de Almeida em ofício de 14 de dezembro de 1829 dirigido a José Clemente Pereira (ms. Na Biblioteca Pública do Estado). O mesmo ofício esclarece a origem da colônia: que em aviso de 28 de setembro(1829) S. M. o Imperador fora servido determinar que o Presidente "fizesse estabelecer como colonos no logar que julgasse mais conveniente os indivíduos que vierão ter a esta Província vindos de Amsterdam no Brigue Hollandez = Activo = dando-lhes pequenas datas de terras que possão cultivar, mandando-lhes levantar cazas para se recolherem, e assistindo-lhes por espaço de hum anno com o Subsidio diário de 160 p.ª as pessôas grandes e 120 p.ª as de menor idade". Eram os colonos 103 entre homens, mulheres e crianças. E "como tenhão pretendido ser igualmente admitidos á classe de Colonos alguns soldados, Alemãs do Batalhão 2º do Granadeiros aqui destacado, que obtiverão escusas p. haver preenchido o tempo do seu engajamento"o Presidente consultou a respeito o Presidente, parecendo que também estes se estabeleceram em Cova da Onça ou Catucá. Quanto aos outros, segundo carta do encarregado do Consulado dos Países-Baixos, Jacob Lefolle, dirigida ao Presidente da Província em data de 13 de setembro de 1828, eram prussianos, "na maior parte artistas, e agricultores, que se propuzerão livremente a ser colonos no Brasil". A colônia de Cova da Onça não properou. Em ofício de 13 de outubro de 1830 informava o então Presidente da Província Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos que a colônia se achava com noventa e seis indivíduos, vivendo de plantações de mandioca e feijão, cultivando frutas e morando não já em casas de palha, mas de telha. Mas o cientista inglês Gardner, que aqui esteve em 1835, visitou Cova da Onça, surpreendendo sinais de decadência ¾ a maior parte dos homens entregues simplesmente ao fabrico de carvão. Deve-se notar que vários dos colonos alemães que vieram para Pernambuco em 1828, dissolveram-se aqui, casando com famílias antigas da região.
      Da Correspondência dos Cônsules é o seguinte documento de interesse sobre a colonização de Catucá por prussianos:
      "Achando-se no porto do Assú um Brigue Hollandez que se destinava ao Rio de Janeiro, com, pouco mais ou menos, cento e quarenta Prussianos, na maior parte artistas, e agricultores, que se propuzerão livremente a ser colonos no Brasil; e podendo talvez ser de grande utilidade pa. Esta província, que n'ella se estabeleção aquelles indivíduos; tenho a honra d'o propor a VExa., estando informado pelo Capm do d.º Brigue, que elles não terão dúvida d'acceitar este convite da parte de VExa., uma vez que lhes proporcione meios para darem princcipios a seus estabelecimentos, como homens livres.
      Se esta proposição for do agrado de VExa. Terei o prazer de contribuir quanto mi for possível para se concluir este tracto que considero favorável pa. esta Província; da qual sinceramente desejo todos os augimentos e prosperidades, como a hum pays que tão benignamente me tem acolhido.

     Deos Guarde VExa.

     Consulado dos Paizes Baixos em Pernambuco 13 de Setembro de 1828.
     
     Illmº e Exmº Senr. Francisco de Paula Cavalcante d'albuquerque.
     Vice Presidente da Província de Pernambuco.
     Encarregado do Consulado dos Paizes Baixos

     Jacob Lefolle." [voltar]

8. Durval Vieira de Aguiar, op. Cit. [voltar]

9. "São Luís", Diário de Notícias, Porto Alegre, 18 de abril de 1950. [voltar]



Fonte: FREYRE, Gilberto. Nordeste: aspectos da influencia da canna sobre a vida e a paizagem do nordeste do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1937. 267p.

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