O BANGÜÊ NAS ALAGOAS
Manuel Drégues Júnior foi do grupo de estudantes que, no Recife de 1933, 1934, 1935, reuniam-se comigo tôdas as tardes, na Biblioteca Pública, para juntos examinarmos papeis o jornais velhos. Foi como alguns dêles adquiriram o gôsto pela pesquisa de biblioteca e de arquivo. Mas por uma pesquisa de biblioteca e de arquivo que fôsse uma constante aventura de descobrimento de fatos socialmente significativos, tantas vêzes desprezados por cronistas e até historiadores voltados apenas para os conhecimentos mais ostensivos e vistosos do passado político e militar do Brasil. Copiavam os estudantes o que o companheiro mais velho de pesquisa lhes pedia para copiarem de MSS e jornais antigos, verificando sempre, com olhos vigilantes de mestre de noviços, até onde iam a pachorra, o esmêro de copista, o gôsto de exatidão, a vocação de historiador, de cada um dos aprendizes; mas copiavam também o que ia despertando seu interêsse particular. Pois um já se preocupava principalmente com o domínio holandês no Norte do Brasil; outro com os homens e as coisas antigas das Alagoas.
Dêsse grupo faziam parte jovens que começam a ser hoje notáveis homens de estudo em suas especialidades: José Antonio Gonsalves de Melo, neto, e José Valadares, por exemplo; Diogo de Melo Menezes, que vem reunindo material para um ensaio sôbre atividades norte-americanas no Nordeste do Brasil durante o século XIX, acêrca do que que já publicou sugestiva nota prévia; Ivan Seixas, que é hoje o principal colaborador do Professor Amaro Quintas em suas pesquisas sôbre aspectos ignorados ou desprezados da Revolução Praieira; e Manuel Diégues Júnior, que surge agora com um ensaio sôbre o Banügê nas Alagoas verdadeiramente excepcional pelo que junta de interpretação sociológica ao esfôrço honesto e paciente de reconstituição de largo trecho da história alagoana.
Tão largo que é quase como se incluísse tudo que, na história das Alagoas, é socialmente importante. Pios da história da gente alagoana se pode generalizar, como do passado do carioca, que é a história de uma gente quase anfíbia. Apenas ao lado das águas já amorosamente estudadas em trabalho de mocidade - que, aliás, está a pedir nova edição - por Otávio Brandão, não se deve deixar de considerar a grande influência, sôbre a formação do alagoano, que vem sendo o açúcar através do latifúndio, monocultura e da escravidão. Através do sistema patriarcal e quase feudal de relações de senhores de terras com lavradores; de donos de casas-grandes com escravos de senzalas ou quilombolas de mucambos; de homens com mulheres; de brancos com pretos; de europeus com indígenas do homem com a natureza - com as terras, com as matas, com as águas.
É um sistema de que ninguém consegue separar a formação brasileira, tal a sua repercussão sôbre as próprias áreas pastoris e de mineração, também atingidas pelo drama do regime patriarcal de família, de religião, de política; e não apenas de economia. O Brasil inteiro sofreu a influência imediata ou remota do sistema que teve seu centro no Nordeste.
O aspecto alagoano dêsse drama que foi - repita-se - durante todo um período o do Bvrasil quase inteiro, estuda-o agora Manuel Diégues Júnior nas páginas de um ensaio realmente notável. Retrata de perto a gente alagoana em várias situações e atitudes, das que o açúcar, mais do que qualquer outra influência isolada ou só, criou menos para indivíduos que para famílias numerosas e compactas: as ramalhudas famílias das casas- grandes.
Dessas famílias convém nos lembrarmos que os próprios escravos se tornavam sociológica e culturalmente membros. Tanto é certo que nas Alagoas, como noutras partes do Brasil, muitos foram os escravos que tomaram não só os nomes como os característicos das famílias senhoriais, tornando-se sociològicamente Mendonças, Wanderleys, Melos, Cavalcantes, Lins e Machados; seguindo Mendonças, Wanderleys, Melos, Cavalcantis, Lins e Machados em suas peculiaridades de fala, de andar, de gesto, de recreação, de devoção religiosa, de sentimento ou compromisso político.
É um aspecto do sistema de relações patriarcais no Brasil que eu quisera ver estudado um dia por um pesquisador da aptidão e dos recursos de Manuel Diégues Júnior. Pois nesse aspecto se refletem alguns dos principais característicos que aquêle sistema assumiu entre nós confundindo interêsses de classe ou de raça com os de solidariedade ou coesão de família. Os escravos do Capitão Machado, devoto de Nossa Senhora da Conceição, por exemplo, empenhavam-se em lutas com os escravos do Coronel Mendonça, devotos da madona ou santa rival - Nossa Senhora de Guia - por fidelidade à devoção da família ou da casa de que se sentiam sociològicamente membros; e com um entusiasmo que talvez lhes faltasse para lutarem por Nossa Senhora do Rosário ou por São Benedito dos Pretos. Ou empenhavam-se em combates sangrentos pelo Partido Conservador ( o dos seus senhores) contra escravos que lutavam à faca ou a cacete pela vitória do Partido Liberal - por ser o dos seus respectivos senhores - com um fervor que não se confundia, segundo testemunhas idôneas, com o dos mercenários ou o dos capangas ou cangaceiros de aluguel. Um fervor que vinha e identificação profunda do escravo com os sentimentos, os interêsses, os compromissos do seu senhor ou da casa ou da família que considerava sua - sua casa ou família sociológica - com prejuízo de sentimentos de classe ou de consciência de raça.
É claro que houve exceções importantes a essa tendência. Que houve escravos cuja devoção verdadeira não era nem a Nossa Senhora da Conceição, nem mesmo a do Rosário, mas a Xangô ou a Exú. E cuja identificação foi com a gente de sua classe (escrava ou proletária) ou de sua raça (africana) nos movimentos libertários que mais de uma vez chegaram da Bahia ou de Pernambuco até Alagoas, preocupando capitães-generais e inquietando senhores de engenho. Mas não nos devemos esquecer de que nas Alagoas, como noutras partes do Brasil, a tendência dominante foi para o escravo sentir-se membro da família de que era escravo, a ponto de identificar-se com seus sentimentos, sua linguagem, seus gestos, seus deuses domésticos, suas devoções e seus símbolos. Sabe-se que houve escravos, por êste vasto Brasil, de tal modo identificados com a política dos seus senhores, que, homens feitos, usavam, como os senhores, o cavanhaque ou a pêra que se tornara insígnia dos membros do Partido Conservador.
Êsse aspecto do sistema de relações patriarcais no Brasil é pena que não apareça entre aquêles de que Diégues Júnior trata mais sugestivamente no seu ensaio de agora, onde reconhece:
"A economia açucareira, que era a grande lavoura das Alagoas como do Nordeste, se mantinha ligada ao escravo negro: tanto a êle como ao patriarcalismo e à monocultura" (p.65). Poderia ir além. Poderia reconhecer que o patriarcado, no Brasil, não só tornou o senhor dependente de escravo e o escravo dependente do senhor como criou entre senhor e escravo, nos dias normais de uma vez superiores aos da classe ou da raça de cada um daqueles elementos. Donde podermos concluir que tais elementos nem sempre foram antagônicos mas, ao contrário, sob mais de um aspecto, simbióticos. Se houve mais de um Palmares ou quilombo, houve numerosos engenhos brasileiros - e não apenas alagoanos - onde senhores e escravos viveram vida antes de acomodação que de oposição; antes de simbiose que de inadaptação. Que não nos ouça, porém, nenhum marxista dos inflexìvelmente ortodoxos.
Aliás Manuel Diégues Júnior aproxima-se do assunto ao recordar que, na luta contra os holandeses, "o escravo negro acompanhou o senhor de engenho no seu sofrimento e na sua reação"(p.84)... "Moradores e cabras de engenho, gente do eito e da bagaceira, pessoal da moenda e da casa-grande, juntaram-se todos no mesmo sentimento de confraternização com os proprietários rurais, reagindo contra os holandeses". Isto, porém, -- repita-se - em dias anormais. O fato mais interessante é o de se Ter verificado, senão confraternização, acomodação, em dias normais, daqueles dois elementos aparentemente antagônicos: senhores e escravos.
Um alagoano nascido em Viçosa nos dia de trabalho escravo, -- o velho historiador Alfredo Brandão - pôde escrever as palavras que o autor de O Bangüê nas Alagoas recolhe numa de suas páginas: "As novenas de açoutes, os bancos e as gargalheiras nunca medraram em minha terra". Isto é, Viçosa.
O que não significa que o ctiveiro tenha sido em Viçosa, ou em qualquer parte do Brasil escravocrata, uma vida ideal para o trabalhador, por mais acomodatício e menos necessitado de outra assistência senão a elementarmente material, que êle fôsse. Manuel Diégues Júnior salienta, no seu ensaio, Ter chegado a tais extremos entre os alagoanos o hábito, nada cristão nem sequer humano, do senhor lançar fora casa o escravo, por velhice ou enfermidade, que, em 1833, o Govêrno da Província viu-se obrigado a tomar medidas no sentido de moderar êsse requinte de crueldade da parte de donos de negros. Crueldade pior, talvez, que as novenas ou gargalheiras. Apenas menos ostensiva.
A respeito do que foi o tipo dominante de escravo de engenho nas Alagoas, valeu-se Diégues Júnior de valioso material antropológico: o oferecido pelos anúncios de jornal de negros à venda e de pretos fugidos. Encontrou aí evidência de suplícios, castigos e doenças, que caracterizavam os corpos de escravos nas Alagoas; marcas de propriedade; traços de vícios; sinais de procedências africana; indícios de subnutrição; característicos de côr, aparência e conformação de corpo; informações sôbre trajos, ofícios, profissões, artes, habilidades. É claro que o escravo por assim dizer ideal encontrou-o só uma vez: no Diário das Alagoas, de 29 de Abril de 1879, e na pessoa de certo escravo fugido da casa do Padre Daltro. Ao Padre Daltro êsse negro desaparecido deve Ter feito enorme falta, pois era, ao que parece, o mais completo homem-orquestra, que já se viu em figura de escravo no Brasil: "sabe ler, ajuda missa, corta cabelo, é bom cozinheiro, copeiro, sapateiro, conversa bem, entende de ginástica, trabalha em trapézio, é bom pagem".
Recorda Diégues Júnior que, nas Alagoas, como noutras partes do Brasil, numerosas famílias patriarcais acrescentaram aos velhos nomes portuguêses ou europeus, nomes indígenas. Às vêzes os nomes dos próprios engenhos. Ou dos rios ou das lagoas dos engenhos. O nativismo ligando-se ao patriarcalismo das casas-grandes, como já tive ocasião de salientar. O caboclismo ou o telurismo patriótico, sugerido pelos nomes da família, dando aos senhores a impressão de serem mais donos das terras e das águas do que se conservassem os velhos nomes europeus. Oiticicas, Pitangas, Gejuibas tornaram-se nomes de grandes famílias patriarcais nas Alagoas. João Lins Vieira juntou ao nome antigo o de Cansanção de Sinimbu. E um dos nomes mais ilustres que Alagoas deu ao Brasil nos dias do Império foi o dessa gente de casa-grande que quis sentir-se tão da terra quanto suas próprias terras.
Nas Alagoas encontram-se ainda boas casas-grandes do tempo do Império e até da Colônia. Sempre me recordo de uma, assobradada e vasta, de Wanderleys antigos na região. Conhecia-a há anos, vindo das Alagoas para Pernambuco por velho caminho - velho e pouco movimentado hoje: talvez até com assombrações do tempo dos Flamengos - que atravessa algumas das melhores e mais doces terras de engenhos e canaviais de Pôrto Calvo. Pôrto Calvo. Foi, como salienta Manuel Diégues Júnior, "o primeiro núcleo de povoamento" da Alagoas; e êsse povoamento se fêz em tôrno de engenhos de açúcar, de casas-grandes, de capelas patriarcais e, principalmente, com famílias ou indivíduos vindos de Pernambuco. Do Pernambuco de Duarte Coelho.
Que, nas Alagoas, engenhos, casas-grandes e capelas patriarcais foram começos de povoações inteiras: "Pilar ( hoje Manguaba), São Luís do Quitunde, Passo de Camaragibe, a própria cidade de Maceió. E é curioso notar-se - seja dito de passagem - que vários nomes de engenhos, quando nomes de santos ou de padroeiros, alteraram-se, nestas, como noutras partes do Brasil, com a transferência da propriedade rural de uma família para outra. O engenho que se chamava São Francisco do Escurial, com uma família, passou-se a chamar de Nossa Senhora da Conceição com a nova família de proprietários. Sinal de que os próprios santos acompanhavam as famílias patriarcais em suas mudanças de situação territorial, que, não raro, eram, também mudanças de situal social. Efeito de declínio ou decadência. Ou de simples urbanização através da burocratização: através dos filhos bacharéis ou funcionários públicos que abandonavam as casas-grandes para irem viver nas capitais ou tomarem o rumo do Sul onde um Albuquerque Lins das Alagoas chegou a Presidente do Estado de São Paulo. Em Pôrto Calvo, Lins, Holandas, Marinhos, Gomes de Melo e Wanderleys foram, quase todos, substituídos ou absorvidos por Mendonças como senhores dos melhores engenhos ou das melhores terras. E pelo que se conhece de alguns casos concretos, pode-se esboçara generalização - que daqui sugiro a Manuel Diégues Júnior estudar ou considerar numa das suas próximas pesquisas - de que tais substituições ou absorções importaram, em numerosos casos, em mudanças dos nomes dos santos padroeiros, senão dos engenhos, das capelas patriarcais. Parece que a família adventícia fazia do seu padroeiro uma de suas insígnias de domínio ou de conquista, uma de suas demonstrações de prestígio patriarcal. Se um Mendonça opulento substituía um Wanderleys decadente na posse de um engenho, considerava-se natural que, na capela da casa-grande o santo de devoção da família antiga fôsse substituído pelo da nova e rica. Donde se pode dizer que santos, e não apenas capelães, eram antes membros que senhores das famílias patriarcais. O patriarcas eram todo-poderosos em relação com os próprios santos.
Se do Brasil inteiro que se formou à sombra dos engenhos patriarcais de açúcar, pode-se dizer que a água foi um dos elementos mais nobres de sua paisagem, na Alagoas - terra de tantas lagoas, tantos rios, tantos riachos - a importância da água foi máxima na caracterização do complexo agrário. Muitos foram os engenhos alagoanos que, em vez de tomarem das famílias proprietárias, nomes de santos ou de mulheres, foram buscar um tanto pagamente na água suas denominações. Manuel Diégues Júnior recorda vários: Riachão, Poço, Ribeira,. Água Comprida, Água Fria, Água Clara, Riacho Branco. E mais: foi na água dos rios - dos "pequenos rios"-que o senhor de engenho alagoano encontrou, como nenhum outro, o que Diégues Júnior chama "o melhor colaborador para sua organização econômica". Fôrça para movimentar a moenda da fábrica. Humidade para fecundar o solo. Transporte para a produção e para a gente. Banho para os animais. Banho para as pessoas. Nenhuma sub-região do açúcar no Brasil poderia oferecer melhor confirmação que a alagoana da sugestão, por mim esboçada em ensaio já antigo com aprovação de um geógrafo da competência do professor francês Pierre Monbeig: a sugestão de que o rio pequeno teve influência considerável na formação agrária do Brasil.
São vários os aspectos ou traços do complexo social representado pelo bangüê, ou pelo açúcar, nas Alagoas, que Manuel Diégues Júnior examina no seu ensaio: vendas de engenhos anunciadas nos jornais, introdução de engenhos e vapor, relações dos principais, traçados de estradas de ferro com a lavoura da cana e a indústria do açúcar, epidemias, crises, a repercussão dos trabalhos da lavoura de cana e da indústria do açúcar no folclore, os primeiros reflexos dos engenhos centrais na situação dos bangüês, o complexo "açúcar" na literatura e na arte alagoanas, os homens ilustres vindos dos engenhos, as festas de engenho ou de casa-grande, a cozinha das casas-grandes que o ensaísta alagoano supõe, ao meu ver erradamente, Ter sido farta em todos os engenhos, quando essa fartura parece Ter sido o característico apenas de alguns, a falta de adaptação do ensino às necessidades agrárias do que resultou o afastamento de tanto filho de engenho das velhas casas-grandes, os efeitos da abolição sôbre a economia açucareira das Alagoas, a transformação do bangüêzeiro em simples fornecedor de cana sob a pressão da concorrência técnica, industrial e comercial do usineiro poderoso e muitas vêzes ausente da terra: residente nas capitais.
Reconhece o autor, com outros alagoanos empenhados em deter a descaracterização da paisagem, da economia e da vida social de sua boa província causada pelo avanço imoderado das usinas que "no cooperativismo repousa a possibilidade de salvação do bangüê"( p.75). Velha idéia minha durante anos tida por puro romantiso, pelos chamados homens práticos, que tive a satisfação de ver adotada pelo grupo de senhores de engenho do Vale de São Miguel que, em 1943, fundaram a Cooperativa dos Plantadores de Cana de São Miguel dos Campos, estabelecendo aí a Usina Caeté. A "primeira fábrica de açúcar, pelo sistema cooperativista - destaca Diégues Júnior - inaugurada não apenas no Brasil mas em tôda a América do Sul" ( p.73). Para essa experiência alagoana, têm os olhos voltados brasileiros de outros Estados, onde o dono de bangüê, enraizado à terra, vem sendo esmagado pelo usineiro novo - quase sempre homem de cidade e de espírito apenas comercial quando não vilão; e cuja superioridade sôbre o antigo fabricante de açúcar decorre, principalmente, da imensa superioridade técnica da usina sôbre o bangüê.
O ensaio de Manuel Diégues Júnior, sólido como é na documentação que oferece sôbre aspectos ignorados ou pouco conhecidos da história social das Alagoas, é também valioso pelas sugestões de que o autor anima êsse rico documentário, pacientemente desentranhado por êle de velhas crônicas, de publicações antigas e até de MSS raros. É um ensaio que obriga o leitor a pensar; que prova reações noutros estudiosos do assunto; que sugere novas pesquisas a outros pesquisadores. Sua orientação - a de juntar a interpretação sociológica da história do Brasil agrário e patriarcal ao estudo das fontes regionais dessa história, abundantes em terras como as das Alagoas - sem ser a que merece a inteira aprovação dos ortodoxos da crônicas histórica, parece a mais capaz de enriquecer o conhecimento do passado brasileiro de perspectivas largamente sociais. Não é uma orientação fácil de ser seguida. Ao contrário: dificílima. Como o chamado "modernismo" nas artes e nas letras, prestase êsse sociologismo arriscado ao sacrifício da substância à aparência para efeitos de novidade ou de sensação.
Já chega a ser mesmo considerável, entre nós, certa sociologia apenas cenográfica feita precipitadamente à sombra da história. Não é, porém, o caso de Manuel Diégues Júnior - sempre contido em seus pendores para a abstração sociológica, pelo conhecimento da história concretamente regional e pelo contacto quase cotidiano com os arquivos, com os documentos, com as fontes da história social do açúcar no Brasil e, particularmente, nas Alagoas. Seu trabalho se junta aos d Alberto Ribeiro Lamego, Jóse Antonio Gonsalves de Melo, neto, Wanderley Pinho, José Honório Rodrigues, Vasconcelos Tôrres, Barbosa Lima Sobrinho, Afonso Várzea, Gileno Dé Gileno Dé Carli, José Calazans, isto é, aos melhores estudos de economia, sociologia de economia, sociologia e ecologia ùltimamente aparecidos em tôrno do complexo brasileiro do açúcar.
Fonte: FREYRE, Gilberto. O Banguê nas Alagoas. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1948. p. 119-126.
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