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Assinatura de Gilberto Freyre
Grandes Frases  



"Não tenho o hábito de adular nem os velhos dos institutos históricos, nem as glórias pós-balzaquianas das academias, nem a mocidade das faculdades e das escolas".

"O saber deve ser como um rio, cujas águas doces, grossas, copiosas, transbordem do indivíduo, e se espraiem, estancando a sede dos outros. Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades".

Discurso de "Adeus ao Colégio", novembro de 1917.



"Uso palavras que denominarei intuitivas sem repelir as lógicas. As cotidianas sem repudiar as raras. As populares sem deformar as eruditas, as sensíveis sem repelir de todo as abstratas".

"Tempo morto e outros tempos", anotação de 1922.



"Não há experiência de corpo que não seja também experiência de alma, o contrário sendo também verdadeiro".

"Tempo morto e outros tempos", anotação de 1925.



"Os da mesma geração somos uns como compatriotas ligados uns aos outros pelos destinos comuns e pelos deveres de lealdade recíproca. (...) Uma pátria no tempo semelhante à outra, no espaço".

"Apologia pro generatione sua", 1926.



"Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental".

"Tempo morto e outros tempos", anotação de 1926.



"Creio que cada um deve ficar o mais possível no lugar onde nasceu. Nada de muita emenda ao soneto da vida: ou do destino, que é o mesmo".

"Tempo morto e outros tempos", anotação de 1926.



"Não é cultura como não é religião o que somente é aquisição e acumulação. Pode ser formidável ciência ou erudição, como entre nós a erudição de Rui e mesmo a de Tobias. A cultura, no sentido a que Nietzche a elevou, tem de ser esforço criador e – peçamos ao grego a palavra exata – heurético. Repele soluções de simples poder aquisitivo. Ninguém se provê de semelhante cultura: cada nação, cada geração, cada indivíduo tem, não direi de criar – porque no mundo da cultura não se cria de modo absoluto, os próprios gênios como Shakespeare, sendo grandes plagiários, quando não de outros poetas, do povo ou do folclore em geral – mas como que de recriar sua própria cultura, reformando, ou mesmo deformando os valores recebidos de outros povos, de outras gerações de outros indivíduos; adaptando-os às suas necessidades; enquadrando-os a novas condições de espaço, de tempo e de personalidade".

"Apologia pro generatione sua", 1926.



"O humano só pode ser compreendido pelo humano – até onde pode ser compreendido; e compreensão importa em maior ou menor sacrifício da objetividade. Pois tratando-se de passado humano, há que deixar-se espaço para a dúvida e até para o mistério".

"Sobrados e Mucambos", 1936, prefácio.



"Um dos característicos de nossa geração é repugnarmos o dramalhão. Ele se tornou ridículo para nós. A voz com que hoje enfrentamos os momentos mais difíceis, em nossa vida sentimental como na política, é a simples e quase de conversa. Se Carlayle aparecesse hoje, nós pediríamos a Carlayle o grande favor de falar um pouco mais baixo. Se Euclides da Cunha escrevesse hoje, nós pediríamos ao grande autor d’ Os Sertões o obséquio de escrever um pouco mais simples".

"Regresso à Província", 1936.



"O tempo é dos que repelem o intelectualismo puro, o esteticismo puro, o historicismo puro, para impor aos que estudam problemas sociais e questões humanas não só o dever de exprimir em voz alta e clara e não tímida e fanhosa acadêmica, verdades das chamadas lógicas ou experimentais – por exemplo: a nenhuma base científica dos mitos de raças superiores ou raças puras, hoje proclamados com ênfase das torres de propaganda política dos partidos racistas da Europa".

"Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira", 1940.



"Sou ainda um combatente quase sem armas para controvérsias no velho gesto brasileiro: um combatente para quem nem negro, nem judeu, nem china, nem mouro, nem mulato, nem filho natural, são expressões pejorativas".

"Sendo daqueles que seguem, quanto possível, o velho inglês orgulhoso de nunca ter procurado uma amizade ilustre nem se esquivado a ódio de poderoso, guardarei desta reunião a melhor das lembranças".

Discurso no Jóquei Club do Rio de Janeiro em 26-07-1941.


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