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Em busca de um menino perdido
A Materna Olinda
A mais antiga recordação de Gilberto Freyre foi a de ter fugido, aos seis anos, de sua casa, indo abrigar-se no que ele chamava "a materna Olinda": a antiga capital de Pernambuco, cidade muito amada e sobre a qual escreveria, em 1939, um Guia Prático, Histórico e Sentimental, semelhante ao que dedicara, em 1934, ao Recife.
Com oito anos, Gilberto Freyre entra no Jardim de Infância do Colégio Americano Gilreath, instituição escolhida por sua família porque alternava o ensino acadêmico com exercícios físicos. Teve dificuldade em aprender a ler e escrever, mas desenhava muito. Talvez estejam nesses desenhos infantis as raízes do imagismo que viria a caracterizar seus textos em prosa e verso. Toma aulas particulares de desenho com o grande paisagista pernambucano Telles Júnior.
Aprendeu com um inglês chamado Mr. William a ler e escrever em inglês, antes de fazê-lo na língua materna. O primeiro livro que leu foi o romance satírico do irlandês Jonathan Swift, intitulado Gulliver’s Travels.
Tendo aprendido Latim com seu pai, que lia os autores clássicos no original, Gilberto Freyre passou a ensinar a língua de Virgílio e Horácio no colégio em que estudava. Estava, então, com 14 anos e já conhecia as obras primas da literatura universal.
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